Ruinas
Mais um dia se passou —
e, mais uma vez,
um poema se findou,
mas doeu como nunca desta vez.
Pois aqui ninguém ficou,
nem o eco do que a gente fez;
tudo foi embora em silêncio,
como algo que o tempo desfez.
Quando você quis ficar,
eu me perdi sem saber te amar;
e esse amor, que não é pecado,
virou ausência ao nosso lado.
Estivemos tão perto — lado a lado —
e ainda assim separados pelo não dito,
pelo medo, pelo vazio calado
que gritava dentro do infinito.
Não pude sequer te tocar,
como se houvesse um abismo entre nós;
e agora você está longe,
e o mundo inteiro já não cabe em nós.
Teu coração não responde —
ou talvez nunca respondeu;
e o que em mim ainda arde
foi tudo aquilo que não aconteceu.
E eu fico, entre ruínas e lembranças,
revivendo o que nunca existiu:
um amor que nasceu no silêncio
e, no silêncio, se consumiu
Gray Wolf
Enviado por Gray Wolf em 12/04/2026