Entrelinhas
Por que fazes assim?
Como decifras meus códigos
sem que eu os revele?
Sentes como eu?
Ou apenas escutas
o que nem cheguei a dizer?
Não sabes quem sou —
e ainda assim me atravessas.
Lês o que escondo
nas dobras do silêncio,
nas entrelinhas que nem escrevi.
Diz-me:
o que mais buscas em mim?
Carrego uma vida distante,
de perigos que vibram na pele,
de caminhos que não te alcançam.
Ainda assim,
de algum modo estranho,
tu me entendes.
E às vezes percebo —
essa afinidade quieta —
e sorrio sozinho,
como quem foi encontrado
sem jamais ter sido visto.
Não sei o que queres, menina,
nem por onde teus passos me cruzam.
Talvez em um verso perdido,
talvez nas profundezas do improvável,
lá onde o mar guarda nomes
que nunca foram ditos.
Quem sabe…
seremos aquilo que o tempo permite:
instante, eco, ou chama breve.
Mas sei —
e disso não duvido —
que é em ti, pela poesia,
que sempre retorno.
Gray Wolf
Enviado por Gray Wolf em 01/05/2026
Alterado em 01/05/2026