Que bom que voltaste!
Noite, lua, firmamento em trevas,
frio... e, contudo, doce como o mel.
Noite banhada pelo luar,
fogueira ardendo além da janela,
mas é outro o fogo que me incendeia o peito.
Contemplo, quase embevecido,
as chamas que parecem bailar,
qual odalisca sinuosa,
envolta em véus de luz, voluptuosa,
até que, entre as labaredas,
vejo-te, enfim, retornar.
Esperei-te sereno, paciente,
embora houvesse em meu sono inquieto
um grilo a entoar sua ladainha
até que a aurora rasgasse a noite.
Esperava por ti, ó Poesia,
e quem haveria de supor
que te encontraria justamente
quando o primeiro alvorecer
viesse beijar o horizonte?
Espero que permaneças comigo,
e que jamais te esqueças de mim,
em tua singela eternidade.
Pois sabe: tu, ó Poesia,
transfiguras a rude lida dos dias
e restituis à existência
a delicadeza de ser ouvida.
Gray Wolf