Poesias para viver!
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Textos
**Ipês Amarelos**
Ipês amarelos, tão altos, tão belos,
que contam uma história tão triste de ouvir.
Adornam o final da doce esperança
de um dia ser livre,
ao lar regressar.

Ipês amarelos na borda do canal,
cavado com sal e sangue e pás.
Na boca, o anzol;
debaixo de sol, chicote na pele,
lágrimas no olhar.

De ver os seus pais,
suas mães e seus filhos,
já desfalecendo de tanto labor.
Uns caem sem vida,
os outros na lida,
cavando o canal nos olhos, pavor.

Na capitania de um tal São Vicente,
morreu muita gente,
sem glória, sem lar.
Pois foram roubados
e então torturados
pra esse canal poder existir.

Com margens bonitas
e ipês amarelos,
que levaram a esperança
de um dia sorrir.


**Sobre a inspiração**

Este poema nasceu da minha reflexão sobre a história do Canal Campos–Macaé e, principalmente, sobre as pessoas que participaram de sua construção em um período marcado pela escravidão e pelo sofrimento.

Os ipês amarelos representam a beleza que hoje pode ser encontrada às margens do canal, enquanto os versos procuram lembrar a dor que a paisagem também carrega.
Gray Wolf
Enviado por Gray Wolf em 14/09/2026
Alterado em 14/09/2026
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